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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

"Melancolia"

Melancolia

O fio da vida,
singeleza que não possuo.
Vivo em estado
de morte profunda.

O sono de um novo dia,
torpor que provem
estado de graça
para quem lhe convêm.

Bruno dos Santos

sábado, 6 de agosto de 2011

Bienal do Rio

Bienal do Rio.
Espero que todos posam comparecer!
Rio de Janeiro, Bienal do Livro, Rito de Sangue em baixo do braço e Anne Rice.
Isso vai dar o que falar!
Grandes editoras de plantão estou aqui e estarei lá!!!

Poesias Noturnas " Flores"

Flores


Contemplo-te ao anoitecer,
vestido vermelho sangue.
O que vai ser?


Flores na janela
te assustam,
13°andar.


Planejo verte todos os dias,
por toda a sua vida.
Flores.
Uma coroa de flores.


Bruno dos Santos

sábado, 4 de junho de 2011

Leia Rito de Sangue antes de todo mundo.

Para ler Rito de Sangue antes de todo mundo é só deixar um recado no blog e um email para contato. Peçam o arquivo e digam por que o querem.
Claro que não é o livro todo, mas para quem quer ter um gostinho antes de comprar, é um ótimo aperitivo.

sábado, 23 de abril de 2011

Novidades

Aguardem um pouco, estamos produzindo a continuação de Rito de Sangue.
Prometo que antes disto, ainda escrevo algumas crônicas, e dou pistas de como a história continua.

Bruno dos Santos

domingo, 17 de abril de 2011

Episódio 4

Crônicas de uma cidade futura

Episódio 4 O Drama Termina Parti 2 e Final

         Marcos anda a esmo pela cidade, entre ruelas e becos, não queria ficar em lugares movimentados. Novamente havia perdido a pista dos Merichelle. Como os irmãos Geraldinni chegaram  no hotel, será que seu informante estava fazendo jogo duplo? Talvez o poder das famílias seja muito grande, talvez essa briga seja maior do que ele pensava, não são apenas, crianças, matando crianças inimigas, é coisa de gente grande e Marcos era só um pião.
         A chuva fina começava a cair.

***

         Bruno Merichelle, havia recebido um telefonema estranho, alguém o avisando para sair da cidade o mais rápido possível, avisando que ele e Pablo corriam grande perigo e deviam seguir para o norte, voltar ao ponto de partida, para recomeçar.
         Nada disto fazia muito sentido, ponto de partida, recomeço, ele estava recomeçando, ao lado de seu neto e dentro em breve a cidade onde habitava seria sua. Muito difícil era entender como o telefonema fora dado, pois ninguém conhecia aquele número, a não ser que, alguém do conselho o estivesse ajudando, mas quem e por que? Bruno não tinha sequer a idéia se a voz era masculina ou feminina.

***

         -Não vai resolver nada perambulando por aí como um derrotado.
Marcos é surpreendido pela esquisita figura olhando para ele, calça boca de sino, camiseta e uma jaqueta jeans toda manchada.
         -Foi você quem me entregou, não foi? Marcos fala segurando a raiva que já enrijece seus músculos.
         -Nada a ver cara, to tentando te ajudar.
         Um soco é desferido por Marcos, mas só atingi o ar.
         -Eu sei onde os Merichelle estão e posso levá-lo. Outro golpe de Marcos e Julio só desvia. -Tô falando meu irmão, paz e amor bicho. Te levo até eles.
         -Você me entregou aos irmãos Geraldinni. Porque deveria confiar no que diz?
         -Por que tem gente muito grande que precisa de você vivo e trabalhando, se os irmãos Geraldinni fizerem o seu trabalho, as famílias entraram em guerra, Geraldinni, Giovanni e todos os outros gângsters do nosso mudo e do mundo mortal.
         -Quem quer que eu termine o serviço, o conselho da minha cidade? Os irmãos Geraldinni fazem parte do conselho.
         -Eles são só uma parte, do conselho.
         -Tenho certeza que Cleto concorda com eles e Antonio não mexeria uma palha para me ajudar.
         -Vu alá, meu caro, quem sobrou, te ajuda. Agora vamos, não podemos perder mais tempo, siga-me.

***

         Pé na porta e soco na cara, era assim que os Geraldinni resolveriam esta questão. Tempo de mais foi perdido, primeiro uma fuga e quase perderam Bruno Merichelle, depois um contato, se não fosse agora, o contato maior seria feito e Bruno saberia quem era seu mestre. Este fora sempre seu ponto fraco, o que o desnorteava e o  tornava um alvo mais fácil, a ignorância, neste caso, não era uma bênção. 
         O lugar era bem construído, um beco apertado, apenas uma entrada e uma saída, uma porta de ferro muito bem trancada.
         -Pronto, nada que uma pequena porção de explosivos não de jeito. Diz um dos irmãos fazendo a curva da esquina enquanto uma luz amarela e um barulho muito alto ecoa no beco atrás dele.
         Os irmãos Geraldinni correm para a porta assim que o fogo se dispersa e adentram ao recinto, uma sala muito luxuosa, decorada com móveis antiguíssimos, de madeira maciça e veludo vinho, tapeçarias pelas paredes e três portas. Uma das portas é aberta com um ponta pé e o que se apresenta é um quarto suntuosamente decorado, com cama e penteadeira estilo Luiz XV, mas vazio. Outra porta é arrebentada, um como vazio. Outra porta uma cozinha.
         -Não podemos ter perdido os dois.
         -De forma alguma, vamos vasculhar melhor o lugar, devem estar em suas criptas, ou caixões.
         Depois de vasculhar cada centímetro do lugar nada haviam encontrado que pudesse esconder um vampiro ou dois. No quarto, malas de viagem, coisas de camping, como barraca, lampião, sacos de dormir entre outras quinquilharias de mortais. Na cozinha nada. No quarto vazio um alçapão.
         -Preparado? Não tem como não estarem aí.
         -Certo, entremos.

***

         A chuva apagara o fogo por completo, mas os restos da explosão ainda estavam lá.
         -Eles já chegaram, vai dar merda, eu não posso com os irmãos Geraldinni. Mas que si dane, estarei morto de qualquer jeito. Fala Marcos preparando suas armas.
         -Vou lhe ajudar, não se preocupe, estamos no mesmo barco agora.
         Ao entrarem se deparam com uma cena inimaginável, Bruno Merichelle e seu neto estavam sentados em duas poltronas, com se nada estivesse acontecendo.
          -Olá, meus caros amigos, este é Pablo Merichelle, o mais novo membro de nossa família.
         -Cadê os irmãos Geraldinni? Fala Marcos apontando armas para todas as direções, como se esperasse um ataque surpresa, a qualquer momento.
         O toque do telefone deixa todos tensos. Bruno Merichelle atende.
         -Sim. Marcos é pra você.
         Marcos pega o telefone receoso.
         -Não completei o trabalho ainda, ...o que? Tudo bem mas, ...ok, senhora cumpro suas ordens. Marcos desliga o telefone. –Ok, vocês estão liberados, mas cadê os irmãos Geraldinni e como vocês estão vivos?
         -Estão no alçapão, naquele quarto. Quanto a sobreviver, tenho um modo peculiar de proteger meu sono. Vamos Pablo, vamos embora.
         -Nada como acampar ao luar, vovô.

***

         Nada como acampar ao luar, mais uma vez os sacos de dormir, reforçados haviam salvado sua vida, nada como ser imaginativo. Ainda assim essa passou perto, se não fosse os telefonemas e contatos de Catarina e de seu mestre eles não escapariam.
Agora Bruno sabia quem era seu mestre e tudo ficaria bem mais fácil. Seria instruído e instruiria seu neto, o jogo estava mudando.
-Vamos meu neto, o caminho é longo, a cidade maravilhosa nos espera, capche?

Fim

Escrito por:Bruno dos Santos

domingo, 10 de abril de 2011

Problemas

Estou com problemas em meu computador, espero postar o episódio final até
o dia 17/04/2011

domingo, 3 de abril de 2011

Crônicas Noturnas de uma cidade futura

Crônicas de uma cidade futura
Episódio 3 O Drama Termina Parte1
A noite estrelada e límpida fazia parecer que os acontecimentos dos dias anteriores haviam acontecido há muito tempo, Pablo olhava fixamente para a lua, estava em paz, seu avô lhe dera uma nova chance, um novo começo, o vento batia em seu rosto e balançava seus cabelos negros e compridos, mas seu pensamento estava no novo mundo de possibilidades que o vento trazia.
Logo após o processo de transformação de Pablo ter se completado, eles deixaram o antigo refugio de Bruno Merichelle e partiram da cidade, primeiro de ônibus, depois de avião e por fim de carro, por milhares de quilômetros, por noites inteiras. Era interessante como um saco de dormir reforçado podia fazer às vezes de um caixão, sendo ainda mais fácil de carregar e muito menos suspeito, dormindo em florestas e até hotéis. Claro que não havia o glamour dos livros de Anne Rice, não se fundiam com a terra, não podiam voar, mas havia  o amor entre dois seres que deveriam estar fadados ao sofrimento eterno, não havia nem céu, nem inferno, esperando por eles, só o mundo a sua volta aguardando por ser explorado.

***

Um caçador com sua missão: uma improvável, perseguição. Como Marcos iria achar, Bruno e seu neto? Os informantes do conselho, haviam perdido o rastro dos dois em um aeroporto, o rapas morto, não sabia de nada, sem nomes, sem destino, sem pistas. O que fazer? Se deixar derrotar  e ser morto por Antonio, Catarina ou por Cleto. Pior ainda, morrer nas mãos dos irmãos Geraldinni.
O telefone tocando.
-Não importa, quem eu seja, nem como consegui esse número. Conheço alguém, que conhece alguém, que te conhece e sabe o que esta procurando. Pois bem, dois novos amigos estão na cidade e não queremos que fiquem muito tempo, a rumores de que são fugitivos, acho que sabe de quem estou falando. Não queremos nos meter oficialmente, pois estes amigos tem as costas quentes, se o trabalho de eliminá-los foi dado a você, deve ser por que também tem. Estão lutando em nível inferior a luta de grandes famílias. Saiba também que os irmãos Geraldinni estão vindo. Se eles fizerem seu serviço as coisas vão ficar feias para todos nós. Você vai receber alguns telefonemas, esteja no orelhão mais próximo do local onde você está e, siga as orientações e chegara até esta cidade...
O telefone foi desligado e Marcos não conseguia se mover, uma torrente de pensamentos, muito lhe foi dito neste telefonema, mas por que? Alguém quer manter as coisas como estão e outros querem botar lenha na fogueira. O que seria tudo isso? Disputa por poder, entre famílias, onde fui me meter?
***
Muitas perguntas e nenhuma resposta, Pablo passara a noite questionando Bruno Merichelle, sobre como poderiam ficar anônimos, sobre quando iriam parar de fugir, quantos mais deviam existir e etc... mas nada, somente silencio da parte de seu avô. Percorriam ruas e becos, se alimentavam, e se escondiam. Bruno dava alguns telefonemas, que pareciam ser de negócio, parecia estar querendo fixar residência, mas há algumas noites Pablo vinha notando que estavam sendo perseguidos, outros vampiros os observavam e  não gostava deles.
-Bambino mio, não se preocupe, em alguns dias esta cidade será segura para nós, estou negociando com alguém muito influente, um dia você o conhecerá.
-Não tenho tanta certeza, todas as noites os vejo, nos encarando, nas esquinas, no alto dos prédios e não gosto do que vejo.
-Mas nunca chegaram perto, estão com raiva e medo do que vamos fazer. Dentro em breve a cidade será nossa, a cidade dos Merichelle! Capche?

***

Algumas horas de vou noturno e o desembarque na cidade onde estavam os Merichelle. O aeroporto estava vazio, não foi difícil arrumar um taxi e chegar ao hotel antes do horário combinado. Iria se encontrar com a pessoa que deu o telefonema, receberia suas ultimas coordenadas e nunca mais se veriam.
O hotel era vagabundo, mas o tratamento era vip, esperou alguns minutos ates que o homem chegasse. Olhando pela janela, viu uma limousine estacionar em frente ao hotel, dois homens saem dela, cabelos longos totalmente brancos, terno preto, óculos escuro.
-Mastro principal da caravela Portuguesa, tô na merda, os irmão Geraldinni, me atraíram para uma armadilha!
Rafael sai do quarto. No corredor, dois homens sacam armas e atiram em sua direção, ele continua quebrando a porta do apartamento em frente e se escondendo.
-Que merda, vou ter que encarar, se fosse filme americano, na janela tinha uma escada de incêndio, era só sair por lá.
Marcos se ergue alvejando os dois homens que entravam no quarto e corre em direção a parede, dando de ombro contra ela.
-Se não tem saída eu faço uma.
Depois de atravessar a quarta parede, um vácuo, nada de chão, queda, três andares e o asfalto.
-Essa doeu. Levanta cara, levanta, não ta na ora de cochilar.

***

-Irmão, Marcos esta escapando não vamos fazer nada?
-Não, vamos aguardar o informante, ele é importante, não Marcos.
Os gêmeos Geraldinni postam-se no corredor, os dois capangas mortos não estão mais visíveis, e o cheiro de seus corpos foram disfarçados com talco.
Passos na escada...

***

Assim que recebera aquele telefonema, Julio sabia que estava com problemas, se fizesse o que Catarina lhe pedia, iria arranjar problemas com os irmão Geraldinni, se não fizesse, o problema era com o conselho.
Raios, o que fazer então: cumprir a primeira parte do plano de Catarina, ligar para Marcos e trazê-lo a cidade. Depois faria com que os irmãos Geraldinni o encontrassem e tudo acabado, teria feito o que Catarina mandou e de quebra não ficaria mal com os Geraldinni, a final, ele ajudou Marcos, mas os irmãos o encontraram. Uma pena mesmo.
O que Julio não esperava, era encontrar os irmãos esperando por ele.
-Julio, caro amigo, já esperávamos por você. Diz um dos irmãos postando- se na frente de Julio.
-Continua o mesmo negão de sempre, jeans e camiseta, você sabia que calça boca de sino foi da década passada?
-Ta difícil me atualizar, essa década não sabe o  que perdeu, é tudo muito brega e sem graça, mas por falar nisso, o que o par de jarro ta fazendo aqui, não estão satisfeitos? Lhes entreguei Marcos, fica tudo em paz, mora?
-Só que Marcos fugiu. Fala o outro irmão se posicionando rapidamente por trás de Julio, encurralado-o. Será que não foi você?
-Eu o que?
-Que avisou que viríamos, acho que esta fazendo jogo duplo.
-Nada a ver cara!
-Então onde estão os Merichelle? Fala um dos  irmãos no ouvido de Julio segurando seus braços por trás das costas, enquanto o outro coloca as garras em sua garganta.
-Se não for por bem, vai por mal. Olha pra mim, olha nos meus olhos, não tem como escapar, tudo esta ficando claro. O poder dos Geraldinni era muito bom para saber o que se passa na mente dos outros. -Olha irmão, era jogo duplo mesmo, filho de uma égua! Agora chega, já sei onde os Merichelle estão. E muito bom para comandá-las também -Julio, liga para Marcos outra vez e conta onde eles estão, se não o fizer, saiba que vai ser doloroso.

***

Depois de se alimentar os Merichelle retornam para seu refúgio.

   Continua...

Próximo episódio dia 10/04/2011
Escrito por: Bruno dos Santos
Um dos escritores do livro Rito de Sangue.

domingo, 27 de março de 2011

Episódio 2 - Drama Familiar Parte 2

Crônicas noturnas de uma cidade futura

Episódio 2 - Drama Familiar Parte 2


            Marcos tenta defender-se dos golpes de Bruno Merichelle, deitado no banco da limousine, fecha os braços por sobre o rosto. Percebendo o cansaço de seu oponente, coloca o pé em seu abdômen e o empurra para cima e para o lado, vendo algumas garrafas no frigobar da limousine, que se abriu com o impacto, pega uma para golpear seu oponente.
            Bruno Merichelle percebendo o movimento de Marcos reúne suas forças, lança-o pela porta da limousine com garrafa e tudo, gritando para seu motorista voltar e passar por cima do corpo.
           
***

            Pela primeira vez, alguns momentos de paz. Estar com seu neto Pablo Merichelle, era para ele a única forma de estar vivo em anos. Explicar o que houve com seu pai, e lhe dar o dom da imortalidade, era resolver sua solidão, era ter com quem compartilhar suas dores, seus medos e desejos. O velho Merichelle estava se sentido uma criança.
            Voltara ao bar onde o menino Merichelle vivia, logo após resolver as coisas com Marcos, sabia que não o matara, mas demoraria para que o vampiro se recuperasse, e enquanto isso, levaria seu neto para seu refugio, longe de tudo e de todos. Em breve para mais longe ainda.

***

            Pablo Merichelle estava deitado em um sofá de veludo vermelho, abrira os olhos, mas não se mexera, não queria despertar a atenção de seu raptor, que parecia com seu avô, mas não poderia ser, seu avô morrera a décadas, quando não havia nascido, quando seu pai era jovem, como na foto que se lembrava.
            -Não precisa ter medo, não lhe farei mal, sei que tudo parece impossível de entender, mas tentarei explicar, e logo que tiver o dom que tenho, compreenderá, melhor ainda. O homem, ou demônio, com quem brigou hoje, é o assassino de seu pai, e o matou para que seu pai não ganhasse o dom que ganharás hoje.
            Pablo tenta se levantar do sofá. O que o homem estava dizendo só poderia ser sandices de um louco psicopata, tinha que fugir, já.
            -Controle-se Pablo, já disse que não lhe farei mal, não sou louco nem psicopata. Quero apenas que meu neto compartilhe meu dom.
            Parecia a Pablo que o homem ouvia seus pensamentos, e respondia a todas as perguntas que podia formular.
             - E sim, posso ler seus pensamentos, mas repito, não se preocupe, não lhe farei mal, o que vou lhe dar é um presente maior do que você pode supor.
            Pablo estava sem forças, não entendia o que avia acontecido, sentia o sangue escorrer em seu rosto, sentia sua cabeça latejar.
            -Descanse agora, não tente se levantar. Diz Bruno tomando as mãos de seu neto entre as suas e lhe beijando o pulso, e depois sugando o sangue mortal do menino.
            Fraco Pablo nem percebeu o que acontecia, deixou-se levar pela onda entorpecente que unia os dois homens na sala.

***

            Fraco e sentido muita sede, Pablo é acordado por seu raptor, com o pulso cortado, lhe oferecendo seu próprio sangue para beber. A principio não queria, não entendia, mas foi compelido pela sede, e sucumbindo a ela, agarra se ao braço que lhe foi oferecido, sugando como uma criança, sentindo o sangue lhe aquecer o corpo e lhe trazer um conforto a muito não obtido.
            Ele realmente era seu avô, não restava duvidas, seguiria seu caminho com ele, fosse para onde fosse, estava em casa novamente, não em um bar, trabalhando como escravo, mas com os seus, ou ao menos com um dos seus, agora era um Merichelle, não um desgarrado ou um abandonado, não mais o menino.
            Com um safanão Bruno Merichelle, afasta seu neto. Pablo já tomara o suficiente de seu sangue, agora poderia dormir e morrer em paz, quando acordasse, conversariam novamente.
            Bruno mal podia esperar pela noite seguinte, fechando o mausoléu onde Pablo iria dormir, sonhava com os anos que teriam pela frente.

***

            Arrastando o que restava de seu corpo, Marcos entra em um beco escuro, onde ratos perambulam em volta de uma lixeira, reunindo suas ultimas forças, pega alguns e se alimenta. Em quanto o sangue dos pequenos ratos surte o efeito desejado, uma torrente de pensamentos ecoa em sua cabeça, a raiva toma conta, assim que reunisse forças novamente, Bruno pagaria por tudo, uma criança malcriada que merecia seu castigo, crianças que não respeitam as regras põem os outros em risco.

***

            O arrastar de cadeiras, o chão encerado, a prataria sendo polida até refletir a imagem do criado que a polia, tudo indicava que era noite de reunião, o conselho seria formado, claro que ninguém ali sabia o que iria acontecer, exceto Melinda. Estava deslumbrante, colocara um vestido negro, comprido e com golas altas, brilhante como o céu estrelado, colocara também suas mais preciosas jóias, gostava de impressionar os convidados, afinal, era cria de Catarina, a grande mestra de todos os vampiros da região, não uma princesa da noite, mas uma rainha de Sabah.
            Uma presença na porta, desperta Melinda de seus pensamentos, já estava atrasada, os criados já deveriam ter sido dispensados e o salão secreto já deveria estar aberto. Um toque de capainha. Ele era sempre o primeiro a chegar, Antonio, o vampiro mais velho do conselho, era da longínqua época onde ainda existiam cavalheiros, homens elegantes e de gestos suaves, podia até vê-lo sobrecasaca preta, cobrindo o elegante terno  de alfaiataria e a cartola um pouco inclinada para frente e para o lado, cobrindo um rosto de traços finos e muito atraente. Poderia entrar na casa sem o mínimo esforço, mas tocava a campainha, e aguardava pacientemente. Antes de atender aporta, Melinda manda todos os empregados saírem da casa e recolherem-se em seus aposentos: o que faziam sem pestanejar além de empregados eram escravos mentais de Catarina.
            Tudo pronto. Melinda se dirige a porta.

***

            Bruno Merichelle observava o despertar do menino, para sua nova vida, seu rosto empalidecera e ganhara certa luminosidade, seus olhos tornaram-se abismos negros e seu cabelo estava liso como o do avô. Agora era um homem, não mais um menino.
            -Vamos, acorde meu neto, não temos muito tempo, aqui não é seguro para nós.
            Pablo abre os olhos como se retornasse da morte, mas no seu caso a morte era só o começo, estava realmente morto, mas a magia e a nova consciência moviam o que restara de seu corpo. Levantando-se com a ajuda de seu avô, sente náuseas, e sede, muita sede.
            -Vamos beber e sair, no caminho lhe explico tudo que deve ser explicado. Agora só a tempo para a primeira lição, que é a mais importante. E no fundo a única que realmente importa.
            Deixando o porão da grande mansão, os dois Merichelle seguem para uma cozinha clara e ampla, lá se encontram três figuras, uma senhorinha com trajes de cozinheira, um rapaz com uniforme de motorista e um senhor trajando macacão e botas de jardinagem.
            - Obrigado Willian por fazê-los esperar. Quanto a vocês dois, pedi que me aguardassem chegar por dois motivos: gostaria de lhes apresentar meu neto, Pablo Merichelle e me despedir.
            A senhora limpa as mãos no avental e agarra Pablo, apertando e o abraçando, ele vê as veias no pescoço da mulher, latejando e se oferecendo a ele, para que matasse a sede.
            - Sim, faça, é só seguir seus instintos, mas não até o fim, não pode matá-la, pois se assim fizer morrera também.
            No outro canto da cozinha Willian segurava o jardineiro.
            -Mais uma vez, obrigado Willian.
Bruno avança, agarra o jardineiro e se alimenta.
            Todos satisfeitos, agora era hora de seguir viagem, teriam que estar o mais longe possível antes que o conselho, que já devia estar acontecendo, acabasse.
            -Willian, sabe o que deve fazer. Se possível, nos veremos em breve, perdoe-me por não lhe contar para onde estamos indo, mas para sua própria segurança é melhor que não saiba.

***

            A exuberância de Catarina chamava atenção de todos, seus longos cabelos negros, seus seios volumosos, apresentados juntos a um colar de pérolas, em um grande decote que ia até o umbigo, suas silhuetas delineando um belo vestido marfim, brilhante como ela.
            -Vamos nos acomodar e resolver nossos assuntos, não estou muito disposta hoje. Fala Catarina, se dirigindo a seu lugar de costume na mesa do conselho.
            -Como sempre, os irmão Geraldinni ainda não chegaram, minha senhora. Fala Melinda puxando a cadeira aonde Catarina iria se sentar.
            -Tomem seus lugares, o que temos para discutir não pode esperar.
            Antonio, o elegante vampiro de cartola posta-se ao lado de Catarina, em outra ponta da mesa, senta-se um homem esquelético, trajando um terno sujo e rasgado e cheirando muito mal.
            -Estamos nos encontrando muito ultimamente. Diz Cleto, batendo com os dedos sujos e cadavéricos sobre a mesa.
            -Mais do que eu gostaria. Retruca Catarina olhando para Cleto de soslaio.
            -É sobre Bruno novamente, creio?
            -Sim, Antonio, infelizmente é. Ocorre o mesmo que antes. Agora ele quer seu neto e pelo que sei, já conseguiu.
            -Marcos não deveria acabar com o menino? Espanta-se Antonio.
            -Marcos é fraco e não passa de outra criança assim como Merichelle. Vamos acabar logo com isso, uma caçada de sangue e acabamos com este assunto.  Diz Cleto levantando da cadeira e socando a mesa.
            -É claro, meu caro, Cleto, depois é só assinarmos a nossa declaração de incompetência e esperarmos que outros venham tomar nosso lugar. Fala Catarina, sem ao menos elevar o tom de voz - Por favor, sente se! Quero resolver da maneira mais silenciosa possível, vou mandar Marcos completar o serviço que começou.
            -Vou deixar bem claro, Marcos é uma criança também. Não acho prudente que ele tome conta disso sozinho, já falhou uma vez e pode falhar novamente.
            _ Sim, Cleto, mas Marcos já conseguiu uma vez e tenho certeza que conseguira novamente.
            -Ok, eu concordo. Diz Antonio.
            -Tudo bem, vou concordar, só para não ter que ficar aqui com os irmãos Geraldinni, a propósito, acho que estão chegando.
            Com um jogo de corpo, Cleto gira de sua cadeira e se desfaz em uma nuvem de fumaça.
            -Eu odeio quando ele faz isso. Até logo, minha cara. Antonio se levanta, beija a mão de Catarina e sai pela porta do aposento. 


             
  Continua...

Próximo episódio dia 02/04/2011
Escrito por: Bruno dos Santos
Um dos escritores do livro Rito de Sangue.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Crônicas noturnas de uma cidade futura

Crônicas noturnas de uma cidade futura

Episódio 1 - Drama Familiar Parte 1

     O mundo visto com os olhos dos outros, é assim que um vampiro enxerga a vida humana , é assim que um vampiro vê sua família, amigos e amores, envelhecendo e partindo.
      Bruno Merichelle era vampiro há pouco mais de cinqüenta anos e ainda não se acostumara com a ideia, ainda era humano demais.

***

            Ele já estivera naquele bar inúmeras vezes. Marcos gostava do lugar, cheirava a frangotes prontos para uma boa briga. Jovens inconseqüentes, delinqüentes que poderiam sumir sem que ninguém desse falta deles. Claro que para ele todas as brigas eram fáceis. Era assim que ele escolhia suas vitimas: fazia com que ficassem com raia, gostava de ver o ódio em seus rostos, e por fim se alimentava, os consumia e se tornava imortal, por mais algumas noites.

***
     
      O pai desaparecera há alguns anos, assim como seu avô. Este Merichelle estava abandonado à própria sorte, sua mãe, o vendera a um traficante de drogas há alguns anos atrás para pagar uma dívida. Agora o menino Merichelle era como um cão de briga, guarda costas e capanga de Enrico.
            Até que o menino se saía bem, em alguns meses já tomava conta do bar como ninguém, fez do lugar sua morada.

***

            Marcos gostava especialmente do garoto que parecia tomar conta do bar, se pegava olhando para ele, entre um gole e outro de conhaque, seus cabelos negros e longos, jogados por sobre os ombros, geralmente usando uma camisa branca de gola aberta e manga virada na altura do cotovelo, calça social risca de giz e sapatos muito bem polidos. O menino Merichelle, Marcos já ouvira este nome nos dois mundos que freqüentava. Alguns anos antes fora incumbido de matar um Merichelle.  Para Marcos, este seria o jantar perfeito, como comer caviar, seria o manjar dos Deuses. Desta vez teria que tomar mais cuidado, o traficante e cafetão da área o tinha como protegido.

***
      Uma inquietação na alma: era o que ele sentia, destas que a gente sente quando é hora de tomar uma decisão muito importante. Ao sorver um gole de vinho, Bruno pensava em acabar com sua passividade, era hora de agir, não iria perder mais uma pessoa a quem amava, não iria perder seu neto, não queria vê-lo morto como seu filho, nem definhando, envelhecendo e morrendo. Mesmo sem a aprovação dos outros, mesmo que fosse uma criança da noite, um jovem vampiro, iria tomar uma atitude, podia ser jovem como criatura da noite, mas havia sido um chefe de família e já não era novo quando foi arrebanhado.
      Acabando de sorver o ultimo gole do vinho, Bruno Merichelle se levanta de sua poltrona, pega o paletó risca de giz que completa seu traje, um lindo terno de corte italiano, e sai para resolver de vez suas angústias.

***

      Hoje a noite estava calma, o bar estava estranhamente vazio, o mesmo vazio que tomara conta do menino Merichelle. Para passar o tempo e aliviar a solidão, era melhor arrumar uma boa briga. Poucas pessoas ocupavam algumas mesas, alguns jovens bêbados, um casal de namorados  e um rapaz que vinha sempre ao bar, cabelo aloirado, curto, estilo militar, calça e botina do exército, um sobretudo preto e uma cara muito estranha, como uma máscara pálida e sem emoção, estava sempre sozinho em um canto, já o tinha visto brigar e sabia que era muito bom, mas tanto faz, o menino não queria ganhar e sim brigar, aliviar o mal estar, dando ou tomando uma boa sova.

***

      Algum tempo depois Bruno Merichelle estava de pé em frente a um velho bar de subúrbio, freqüentado apenas por delinqüentes e viciados, aquele lugar, definitivamente, não combinava com ele, não combinava com seu terno alinhado, nem com os cabelos negros impecavelmente penteado para traz. Abriu a porta da frente usando um lenço e adentrou.
            Um grupo de rapazes corria para a porta dos fundos do bar, gritando e fazendo algazarra, parecia  haver uma briga, ninguém no balcão e ninguém no bar, todos haviam saído, Bruno atravessa o bar com  rapidez sobrenatural e chega a porta.

***

      Marcos não achou que seria tão fácil; ser desafiado por aquele garoto, pelo menino Merichelle, era mais do que ele podia pretender. Para os mortais, que pudessem se importar com o garoto, Marcos era invisível e para os vampiros, marcos faria um favor. Acabaria de vez com a ladainha de Bruno Merichelle, o novato que queria transformar o neto em vampiro, só por que não conseguia se livrar de seu lado humano.
      O menino estava se recompondo, Marcos achou que tinha exagerado na dose, o ponta pé que dera no menino o jogara porta afora, ele tinha que controlar sua força para não dar bandeira aos poucos espectadores da noite. Um soco bem dado,  Marcos fingiu sentir dor, mas logo em seguida, bateu de volta, jogando o menino de encontro a algumas latas de lixo. Que menino valente, Marcos estava gostando da reação dele, não se deixava humilhar, se levantou e veio de encontro a Marcos, que apenas desviou, dois ganchos de direita e um gancho na boca do estômago, que faria Marcos perder a respiração e até desmaiar se fosse mortal. Fingiu tontear, mas golpeou o menino com uma pisada no joelho e um soco de cima para baixo que fez o menino se ajoelhar e se preparou para o grande final, segurou a cabeça do menino e preparou para uma joelhada...

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      O impacto foi tão forte que Marcos levou algum tempo para perceber o que estava acontecendo.
      -Seu verme, sanguessuga, não vai fazer com Pablo, o que fez com o pai dele. Há anos venho tentando localizar você e agora posso destruí-lo, seu demônio das trevas! Diz Bruno Merichelle se postando entre Marcos e o menino.
      -Só fiz o que me mandaram fazer, sou pau mandado assim como você. Responde Marcos se recompondo do empurrão.
      -Então, não tenho escolha vou matar, ou morrer de vez, a eternidade é um peso que não posso carregar sozinho.
      O menino assustado, vendo o homem que se interpôs ao combate, não acredita em seu olhos, ele via seu avô, igualzinho a imagem que se lembrava, a imagem no porta retrato, ao lado de seu pai.
      Um chute, uma defesa de perna, um soco, uma defesa e um soco, direto no queixo, Bruno agradecia os anos de briga de rua e pugilismo na adolescência, por mais que Marcos fosse mais forte, ele era mais esperto, Marcos sobrepujava os pobres meninos mortais, mas não era páreo para um de sua espécie, era uma marionete, tão nova quanto Bruno.
      Agarrando marcos pela gola do sobretudo, Bruno Merichelle arrasta seu oponente para a frente do bar e o joga na limusine parada em frente ao bar.

Continua...

Próximo episódio dia 25/03/2011
Escrito por: Bruno dos Santos
Um dos escritores do livro Rito de Sangue.